Teoria do Psicodrama

O Jogo Dramático

O Jogo Dramático está inserido na teoria do Psicodrama e é bem diferente do termo Jogo Dramático utilizado no teatro para desenvolver o papel de ator. Em Psicodrama é Jogo porque promove o lúdico, é Dramático porque tem a proposta de trabalhar os conflitos que surgem. O Jogo Dramático promove a liberação da espontaneidade.

Esta é a essência do jogo; permite ao homem “viajar” ao mundo da imaginação e, através dele, recriar e descobrir novas formas de atuação através do encontro com ele mesmo, com os outros e com a vida. A espontaneidade e a tele (empatia em duas direções) funcionam como catalisadores da ação criativa. O lúdico, o prazer, a alegria são ingredientes indispensáveis. Conceitos aparentemente contraditórios como fantasia e realidade, liberdade e ordem, convivem juntos e harmonicamente. O indivíduo está livre para criar e isto deve ocorrer dentro de uma determinada organização (regras e senhas combinadas). O campo é relaxado, o que cria uma atmosfera permissiva. Os conflitos surgem e são trabalhados de forma indireta. A comunicação extrapola o verbal e outras formas de expressão não-verbal são incluídas.

O jogo dramático é essencial a todo processo de aprendizagem, propicia o aparecimento da espontaneidade e criatividade e além de educar, previne e acalma a pessoa para enfrentar situações de ansiedade. Desta forma permite que o indivíduo descubra novas formas de tratar situações que poderão ser semelhantes a outras de sua vida cotidiana; favorece também a quebra de resistências, bloqueios e ansiedades, formando um “campo relaxado” que permitirá novas possibilidades de relações que possam levá-lo a atingir uma meta. O jogo é, pois, um instrumento de trabalho extremamente útil e freqüentemente utilizado para criar vínculos e estabelecer novas formas de relação.

Por esta razão vem sendo cada vez mais usado nos ambientes de trabalho, para integração de equipes, desenvolvimento e treinamento de papéis; nas escolas e outras instituições, com grupos de professores e funcionários; para trabalhar temas de interesse do grupo (sociodrama); como recurso pedagógico; para psicoterapia de crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.

A busca, identificação e a resolução de conflitos são realizadas na fase dos comentários e processamento (última etapa de uma vivência psicodramática), em que o diretor retira do grupo os sentimentos, as observações e o conteúdo pertinente para fazer a ligação deste conteúdo com o objetivo da implantação do jogo. O diretor deve avaliar constantemente a fase de desenvolvimento dos vínculos da dinâmica grupal, assim como deve também estar atento à fase de desenvolvimento de cada elemento do grupo. Será a partir destes dados que irá oferecer jogos de encontro com as verdadeiras necessidades do grupo.  Em suma, para colocar Em cena: o Psicodrama, o jogo deve, antes tudo, conter uma proposta que atenda à necessidade do grupo (para que estamos juntos); deve estar sensível ao clima (como estamos hoje, aqui e agora); atento ao conflito a ser resolvido (o que está por trás das aparências) e à predisposição do diretor (como eu me sinto, hoje, para trabalhar com este grupo).

 

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Maria de Lourdes Batista

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