História de vida de  um  adolescente infrator dependente químico.

Esse texto propõe uma reflexão acerca da questão do Adolescente Infrator, pois é de fundamental importância para entender o fenômeno da criminalidade juvenil e a relação com o uso indevido de substâncias psicoativas e seu relacionamento familiar. Da mesma forma, como orientar as famílias para diminuir o índice de criminalidade.

Quanto o assunto é tratamento no mundo atual onde a palavra de ordem é punir, essa discussão busca elucidar alguns pontos, em relação ao adolescente infrator, que tem se mostrado bem polêmica.

A experiência  vem demonstrando que esse tema para muitos, ainda não satisfaz os interesses da sociedade.  Esta, por sua vez, tem demonstrado uma desvalorização acerca do assunto, exigindo respostas, por parte do Estado, cada vez mais severas e assim os adolescentes vão ficando a margem.

O ECA Estatuto da Criança e do Adolescente, prevê os seguintes aspectos: são crianças, as pessoas com idade de até 12 anos incompletos e adolescentes, as pessoas de 12 anos até 18 anos incompletos e estão em face de desenvolvimento.  Segundo o ECA, só cabe internação quando o ato infracional foi cometido mediante grave ameaça ou violência, reiteração no cometimento de infrações ou descumprimento reiterado das medidas aplicadas. Adolescentes primários envolvidos com drogas devem cumprir medida em liberdade.

Então, ato infracional é a conduta praticada pelo adolescente que corresponde, no Código Penal a Crime ou Contravenção. Segundo autor Muniz, não receberá o adolescente uma pena e sim uma medida socioeducativa.  Que às vezes não colabora para que o adolescente não venha recair e assim aumentar seu processo de infrações.

As demandas de tratamento em dependência química para o adolescente infrator é uma questão emergencial. A reclusão vira tratamento para adolescentes dependentes químicos, nesse sentido “o Ministério da Justiça analisou 247 processos juvenis e acaba de detectar que parte dos meninos e meninas que vai para trás das grades de todo País é privada de liberdade por falta de alternativa de atendimento de saúde.”

Os adolescentes entram “no tráfico para sustentar o vício, usam para ter coragem de vender, começam a vender e depois passam a usar,”

É um ciclo que poderia ser interrompido com a interferência do tratamento médico em todos os sentidos.

Nas discussões sobre o tratamento para o adolescente autor do ato infracional, os questionamentos são esses: É possível obrigar alguém a se submeter a um tratamento? É possível e útil proceder com a internação compulsória para tratamento do uso abusivo de álcool e outras drogas?  Entretanto, a lei antidrogas prevê que o agente considerado inimputável (por não entender, em razão da dependência, o caráter ilícito do crime) deve ser encaminhado pelo juiz a tratamento médico (art. 45).

As políticas públicas sobre drogas tentam mobilizar a sociedade para o seu papel de auxiliar no tratamento dos adolescentes infratores que fazem o uso de substancias psicoativas, primeiramente buscando compreender por que os adolescentes infratores possuem uma ausência do referencial de origem, ou seja, “quem são meus pais, onde estão, para onde vou quem me orientará como vou sobreviver. Estas são apenas algumas questões que estão presentes para os adolescentes”,  porém, não estão entre as principais preocupações dos responsáveis pelas instituições e autoridades.

A partir destas considerações a respeito do tratamento aos adolescentes infratores, poderíamos dizer que este resta prejudicado, pois os adolescentes acabem não tendo atendimento especializado. Muitas vezes, os tratamentos disponíveis não contribuem para a criatividade e a individualidade dos jovens, sendo forçados ao convívio com outros jovens da mesma origem, abandonados, num local que têm as mesmas características físicas, quanto ao modo de vestir, de andar, de cheirar, de falar, ficando confinados num mesmo local, sem direito a tratamento especializado.

De acordo com a discussão, podemos dizer que as instituições têm favorecido o desenvolvimento da identidade do adolescente Infrator, tanto no processo de Criminalização quanto o da Prisonização. Pelo próprio conteúdo das medidas, as ações que as compõem devem sempre envolver o contexto social em que se insere o(a) adolescente, isto é, a família, a comunidade e o Poder Público devem estar necessariamente  comprometidos para que se atinja o fim almejado de inclusão desse(a) adolescente.

Entre as diversas questões colocadas em relação à adolescência, uma delas que se inscreve na temática é que a adolescência é uma fase do ciclo da vida, em que o indivíduo passa por grandes mudanças, por isso é importante compreender a adolescência e “as  transformações que  afetam o adolescente  dentro dos  aspectos; biológicos, psicológico, sociais e culturais,” (OSÓRIO, 1989, p. 10).  São elementos que não podem ser vistos de forma separada, pois é pelo conjunto de suas características que podemos conferir a unidade ao fenômeno da adolescência, auxiliando na compreensão de seu comportamento.

Delimitar adolescência é uma tarefa importante, tendo em vista que é uma fase marcada por mudanças e de perdas significativas,

A adolescência precisa ser considerada em sua real significação, um momento crucial na vida do indivíduo que se constitui em uma etapa decisiva no processo natural e normal de crescimento. É o imperativo de ingressar no mundo dos adultos e a definitiva perda da condição de criança.  (ALVES, 2002, p. 40)

A adolescência é um momento em que o adolescente se depara com suas crises, “a expressão CRISE do grego Krisis – ato ou faculdade de distinguir, escolher, decidir, ou resolver, a adolescência é uma crise vital, como são tantas outras ao longo do desenvolvimento do indivíduo” (OSÓRIO, 1989, p. 14).  Dessa forma, a chamada crise da adolescência, envolve os conflitos externos, como conflitos de gerações, e os processos psíquicos marcados por valores diferentes.

Portanto, não poder ser estudo apenas sob maneira de ver a suas modificações corporais e que sem o adequado entendimento da crise de valores por que passa o adolescente, jamais podemos compreender o real significado da transformação da criança em adulto.  Nessa perspectiva temos então as transformações psicossociais que as acompanham e caracteriza a adolescência.

Assim, a adolescência, caracterizada por mudanças rápidas no físico, no psicológico e no social, implica na crise de identidade. Por isso que a adolescência é o período por excelência de risco para o ingresso no uso de substâncias psicoativas. Não só pelo fato de querer experienciar o novo, buscar novas emoções e desafios, mas também encontrar nessas novas buscas  respostas  para o seu viver.

A adolescência é o segundo nascimento. O primeiro, evidentemente, é o nascimento biológico, do qual nada lembramos. O que sabemos do nascimento biológico são pelas informações de nossos pais. Já, a adolescência, é um novo despertar para vida. “É o segundo nascimento, em todos os sentidos, incluindo o físico, pois o corpo passa por significativas transformações. O adolescente não pode abrir mão de elaborar esse novo nascimento; precisa ser sujeito de sua história.”

Ao abandonar sua maneira de comunicação infantil e passa para uma forma adulta de expressão, o adolescente tem uma identidade linguística […] “ à sua condição de adolescente, a gíria, que é um subproduto da cultura adolescente e constitui a expressão verbal do processo de diferenciação do adolescente  dos pais e do mundo adulto geral.”

Uma vez que as questões de  rebeldia, da contestação que estão presentes também  na adolescência, parece que existe neste contexto  uma adolescência normal, pois   “em todas as épocas e  latitudes o adolescente sempre foi um contestador, um buscador de novas identidades, testando diferentes formas de relacionar-se”, (Osório, 1989, p. 37).   Ou seja, alguns líderes de hoje foram adolescentes contestadores.

Neste histórico desenvolvido de forma a explorar as reflexões  de  Osório(1989) , quando no seu livro contextualiza adolescência hoje, e no desenvolvimento desta fase “a adolescência vai se caracterizar pelo afastamento do seio familiar e consequente imersão no mundo adulto. As mudanças estão acontecendo e não dá ainda para prever como serão estes futuros adultos” (Osório, 1989, p. 37).

Daí surge o afastamento familiar, o que aprendeu na sua relação com a família e adaptação social, “faz com que o mesmo tenha que significar o novo, o que acarreta toda uma mudança em sua personalidade. E a primeira reação afetiva da criança a esta invasão é buscar um refúgio em seu mundo interno; para poder enfrentar depois o futuro.“

Enfim, com este afastamento que o adolescente faz do mundo externo para refugiar-se no mundo interno, é para se sentir seguro, porque em todo o crescimento existe um impulso para o desconhecido e um temor ao desconhecido. No momento de conquistar um espaço, e viver com o  seu novo papel frente ao mundo externo “o adolescente exige de seus pais a liberdade, esta implica nas saídas e horários, a liberdade de defender uma ideologia e a liberdade de viver um amor e um trabalho.

Aguardem o texto 02

Depoimento de um adolescente infrator e seu uso de drogas.

O Sonho e a Psicoterapia

O Sonho e a Terapia

Todos nós sonhamos, uns mais, outros menos. Sonhos bons e sonhos ruins. E muitas vezes procuramos sem sucesso significados para eles.

Segundo a neurologia o sonho faz parte do ciclo normal do sono, tendo relação com período de sono REM – Rapid Eyes Moviment. Mas os sonhos já foram considerados sinais divinos e previsões do futuro pelos antigos egípcios, por exemplo, além de alvo de estudo no comportamento do ser humano desde o século passado.Na psicologia, a teoria mais conhecida a lidar com o sonho é a do Freud (psicanalista). Segundo ele, o sonho seria o cumprimento disfarçado de um desejo reprimido. Muitas vezes não pensamos que outras linhas teóricas trabalhem ou possam trabalhar com sonhos. Porém o sonho é um material importante e pode ser muito trabalhado em terapia, principalmente a comportamental.

Para a psicologia comportamental os sonhos fazem parte de uma classe de comportamentos chamada de ‘encobertos’. Na maioria das vezes os sonhos aparecem de forma metafórica, pois isso favorece a expressão de sentimentos, ideias e fantasias que podem ser difíceis de ser vistos de outra forma.Por causa do sonho se apresentar desta forma que muitas vezes precisamos de ajuda para interpretá-los. É a partir do relato do sonho que o terapeuta aprende mais sobre a subjetividade do seu paciente, buscando interpretar o que o paciente diz e descobrir a ligação entre o sonho e o comportamento apresentado, para então trabalhar em conjunto na melhor solução para o caso.

Sonho em Gestalt – Uma Vivência no Aqui e Agora.

É de extrema relevância  trabalhar junto com o cliente o sonho para trazer mudanças à sua vida, de forma que o possibilite conduzi-la com autonomia. Através de um único sonho relatado pela cliente é possível proporcionar reflexões em sua vida nos mais diversos aspectos, sociais, profissionais, individuais, emocionais, intelectuais, acontecimentos do passado, presente e futuro.

Os sonhos em Gestalt-Terapia não é uma prática de investigação e interpretação de momentos passados da vida da cliente, como nos foi legado pela Psicanálise, a qual ainda é uma das principais referências no que diz respeito a sonhos. Pela vertente Gestáltica o trabalhar com sonhos se fás sem interpretações do terapeuta, porém, com uma postura ativa e questionadora, e enfatiza-se o momento atual da vida da cliente, englobando o todo e o particular, dando-lhe condições para se responsabilizar por sua vida de maneira ativa e transformadora.

O trabalho com sonhos trás benefícios, e desenvolvem esforços próprios  e uma maior capacidade de gerar mudanças em sua vida. Desde o momento da concepção, tem início nos seres humanos um processo de transformação que continuará até o final da vida.

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